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sexta-feira, 11 de março de 2016

Sem rumo...


Saber o que se quer da vida parece tarefa simples. Mas tem muita gente que fica anos sem se encontrar. Se sentir completamente perdido em algum momento é normal. O problema é quando essa fase demora a passar.
A gente nasce, mal começa a crescer e nossa vida já vai ganhando planejamento.
 Nossos pais nos matriculam num bom colégio - já pensando no futuro, claro; escolhem o time pelo qual vamos torcer; nos estimulam a tocar um instrumento; nos colocam para fazer teatro quando ainda conseguimos mostrar a idade com os dedos das mãos ou nos incentivam a treinar para nos tornarmos uma atleta olímpica – quem sabe? E é assim que os objetivos de vida começam a ser traçados. O desejo de conquistar novos sonhos vai dando energia para irmos em busca da felicidade. Só que nem sempre as coisas são simples assim. O maior problema é quando não sabemos nem por onde começar a procurar aquilo que trará prazer e satisfação. Pode parecer estranho, mas se sentir perdido no mundo, completamente sem rumo, sem saber o que fazer e o que querer é uma experiência pela qual muita gente já passou – ou ainda passa. Será que é possível ser feliz e realizado sem ter objetivos bem definidos na vida?
Em primeiro lugar, para que uma pessoa se ache, antes é preciso que ela tenha estado perdida. Ninguém passa a vida inteira com os pés firmes no chão, satisfeito com o que está fazendo e em harmonia com o mundo e com seus sentimentos. "É mais que normal as pessoas passarem por fases em que parecem estar desencontradas, sem chão. Quem estiver nessa situação deve lembrar que não é o único a passar por isso e que reencontrar o caminho de volta é somente uma questão de tempo. A luz só está um pouco apagada", ilustra a psicóloga Vera Soumar.
Só que, pelo visto, não é assim com todo mundo, não. Tem gente que parece não sair nunca do período de desorientação. Uma coisa é estar sem rumo, outra é ver os anos passarem, passarem e nada de descobrir o caminho certo. O irmão da estudante Mirela Bittencourt, Julio, se encaixa nesse perfil. “Meu irmão é um cara sem perspectiva nenhuma, sem objetivos. Tem 28 anos, está na faculdade há 10, porque nunca vai à aula. Teve um período que ele repetiu todas as matérias”, conta a estudante, dizendo que o irmão, depois de cursar dois períodos de publicidade, saiu e resolveu seguir a carreira do pai. Entrou, então, para direito numa universidade particular. Os pais de Mirela, já acostumados com a inércia do filho, resolveram estimulá-lo: logo que Julio decidiu pela advocacia, seu pai montou uma sala só para ele em seu escritório. “Ele começou a trabalhar com meu pai, mas chegava atrasado sempre. Isso quando ele ia, né? Então meu pai o mandou embora. Mesmo assim, arrumou estágios para ele nos melhores escritórios de advocacia da cidade e foi a mesma coisa. Hoje em dia está desempregado, diz que não sabe o que quer, não pensa em sair de casa, não se anima com nada. Dá vontade de agarrar ele e dizer: ‘acorda!’”, indigna-se Mirela.
Realmente, na maioria das vezes que uma pessoa é taxada de “perdida”, essa crítica refere-se ao âmbito profissional. Afinal de contas, é o trabalho que dignifica o homem. A ex-publicitária Regeane Freitas conta como foi difícil largar a profissão. “Eu estava infeliz, vivia estressada, não gostava daquilo. Até que a agência onde eu trabalhava acabou. Fiquei um mês de férias e não senti a menor culpa. Ia à praia numa boa. Depois comecei a me questionar sobre o que iria fazer, meus pais começaram a me pressionar, meu amigos... Enfim, a sociedade esperava alguma coisa de mim e eu não sabia pra que lado correr. Parece que quem não tem emprego fica meio fora do mundo, como se eu não tivesse função na sociedade”, lamenta Regeane.
Para não ficar no ócio, Regeane começou a produzir colares artesanais e a se matricular em uma porção de cursos de literatura, algo que lhe interessava. “Aí meu ex-chefe me chamou para trabalhar junto com ele de novo, por um salário bem maior do que o que eu ganhava antes, e eu não topei. Isso foi horrível. Porque eu não sabia o que queria, mas sabia o que não queria de jeito nenhum!”, conta ela, que desde os 15 anos queria ser publicitária. “Era algo definido na minha cabeça. Talvez por isso eu tenha ficado mais pirada ainda quando me dei conta de que tinha errado. Escolher a profissão que se quer seguir pro resto da vida, quando se tem 16, 17 anos, é como acertar na loteria!”, argumenta.
Mas nunca é tarde para colocar ordem na casa. Nem que se tenha que virar a vida de cabeça para baixo e mudar completamente os planos. Ah, e se não tiver novos planos? Calma, um passo de cada vez... A Regeane, por exemplo, não fazia a menor idéia de que se tornaria... escritora. “Eu fiquei perdida um tempo, fazendo artesanato, que me entretinha e também rendia um trocado, e estudando literatura, sem saber no que ia dar. Eu não pensava em carreira, não sabia como ganhar dinheiro com os cursos que estava fazendo. Até que conheci professores que me incentivaram, me fizeram acreditar que eu levava jeito e mandava bem. Com essa segurança, aos poucos fui colhendo frutos dos meus estudos”, conta Regeane, que hoje é roteirista de uma grande emissora de TV. Para ela, aquela fase em que esteve sem rumo, apesar de ser sofrida, foi necessária. “Enquanto se está no processo, cada dia parece uma eternidade. Foi um período de baixa auto-estima, de vacas magras e de dedicação. Porque não se muda de profissão assim de um dia para o outro. Isso demanda tempo”, afirma.
A questão profissional, apesar de ter um peso muito grande, é apenas um dos capítulos 
dessa história de estar sem rumo, não possuir objetivos, enfim, se encontrar perdido,
sem saber para onde ir. No caso da estudante Larissa Gomes, de 22 anos, os estudos iam bem, mas algo, que nem ela sabe dizer bem, andava pra lá de desorientado. “Eu acho que era um encanto extremo com a juventude, não sei. Minha família tentou me avisar, dizia que eu estava perdida na vida, distante de todo mundo. Hoje em dia eu vejo que estava mesmo. Eu saía quase todo dia, chegava supertarde, bebia e ainda voltava dirigindo sozinha para casa. Fiz isso muitas vezes, até que um dia de madrugada dormi ao volante e capotei”, revela Larissa, que praticamente não se machucou, porque estava com cinto de segurança. “Depois do acidente, eu nasci de novo. Comecei a valorizar mais a minha família e a não ser tão inconseqüente. Adquiri outros valores e me sinto muito mais em paz, hoje”, diz a estudante.
Segundo a psicóloga Vera Soumar, o mundo moderno e capitalista em que vivemos é mais propício para que as pessoas se sintam inseguras quanto aos seus desejos e rumos. “Existe cada vez menos espaço para as emoções. As pessoas precisam amar e ser amadas e não só produzir, fazer tudo em função do dinheiro, de compensar o afeto com o financeiro. Porque isso traz uma carência muito grande nas relações, deixando as pessoas angustiadas e com esse sentimento de vazio”, explica Vera, frisando que conhece inúmeros profissionais que, apesar de serem muito bem sucedidos, vivem insatisfeitos.