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quinta-feira, 10 de março de 2016

2016: O ano em que o desemprego vai marcar dois dígitos no Brasil,

DESEMPREGO

Um Brasil com mais desempregados certamente nos espera ao longo deste ano. Se, em 2015, o País foi palco de taxas de desemprego recordes, com mais de 8 milhões de desempregados, este novo ano será pior, com taxa de desemprego batendo os dois dígitos.
A previsão é do economista Fabio Giambiagi, chefe do Departamento de Gestão de Risco de Mercado do BNDES, um dos maiores especialistas brasileiros de finanças públicas, autor das obras Reforma da Previdência e Brasil – Raízes do atraso.
Em entrevista ao Huff Post Brasil, o economista avisa que os trabalhadores vão sentirainda mais o efeito da crise econômica em 2016. "Vai ultrapassar os 10%", sobre a taxa de desemprego medida pelo IBGE.
"Em poucos anos, estamos saindo de uma situação em que estávamos acostumados com um padrão referencial de 5% para uma taxa de desemprego para um ano em que eu não me espantaria se ficasse entre 11% e 12%."


Um Brasil com mais desempregados certamente nos espera ao longo deste ano. Se, em 2015, o País foi palco de taxas de desemprego recordes, com mais de 8 milhões de desempregados, este novo ano será pior, com taxa de desemprego batendo os dois dígitos.
A previsão é do economista Fabio Giambiagi, chefe do Departamento de Gestão de Risco de Mercado do BNDES, um dos maiores especialistas brasileiros de finanças públicas, autor das obras Reforma da Previdência e Brasil – Raízes do atraso.
Em entrevista ao HuffPost Brasil, o economista avisa que os trabalhadores vão sentirainda mais o efeito da crise econômica em 2016. "Vai ultrapassar os 10%", sobre a taxa de desemprego medida pelo IBGE.
"Em poucos anos, estamos saindo de uma situação em que estávamos acostumados com um padrão referencial de 5% para uma taxa de desemprego para um ano em que eu não me espantaria se ficasse entre 11% e 12%."
Fabio Giambiagi faz projeção da economia brasileira em 2016
Se a alta se confirmar, esta seria a maior taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.
Contudo, Giambiagi pondera um ponto fundamental: a PME (Pesquisa Mensal do Emprego) vai parar de ser divulgada pelo IBGE, substituída inteiramente pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, iniciada em 2012. Até 2015, as duas pesquisas eram publicadas, sendo que a Pnad, na média histórica, sempre divulgou uma taxa mais elevada que a PME.
"Enquanto a PME daria uma taxa de desemprego entre 9% e 10% em 2016 ,a Pnad daria entre 11% e 12%."
Mesmo assim, o percentual é bem preocupante. No terceiro trimestre de 2015, a taxa de desemprego medida pela Pnad ficou em 8,9%.
Em números absolutos, a população desocupada no País, mas à procura de emprego, chegava a nove milhões de pessoas. Se a taxa subir para 12%, serão mais ou menos 12 milhões de desempregados. "Nível de dois dígitos é um elemento muito emblemático."
O desemprego tem avançado a níveis históricos por conta da delicada situação econômica no Brasil. Fatores como inflação, juros altos, dólar valorizado diante o Real, confiança dos consumidores e empresários, além da queda de investimentos no País, influenciam o índice.
Um exemplo simples: com a inflação alta, o consumo das famílias tende a cair e, portanto, a produtividade de uma empresa também, para a produção se equilibrar com a oferta. Se a empresa produz menos, ela vai ter lucro menor e, consequentemente, cortar empregos.
2016: Juros altos, dólar caro e pequeno alívio nos preços
O que explica em parte o aumento do desemprego é a manutenção e até piora dos fatores que influenciam a taxa. O economista prevê um primeiro semestre difícil, com a continuação das tendências observadas ao longo doe 2015.
A inflação, por exemplo, deve aumentar nestes primeiros meses de 2016, pressionada por ajustes de início de ano na educação, como escolas e material escolar, e condomínio.
"Depois destes meses, a tendência é de queda. Poderemos observar uma trajetória declinante, esperando que, até o final do ano, pode chegar até ao teto da meta no final do ano, de 6,5%", projeta.