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domingo, 24 de abril de 2016

Como vencer a solidão

Sintomas e identificação Geralmente os afetados pela solidão não gostam de falar sobre ela. Sentem vergonha, ficam sem graça ou, simplesmente, não têm com quem discutir a questão. Portanto, os números sobre a extensão do problema só revelam parte do quadro. - como-vencer-a-solidao
Em alguns casos, mães de crianças pequenas se sentem isoladas, ao passo que pais se sentem solitários em função da dedicação das mães aos bebês.
 
Grupos que também correm risco de sentir solidão são formados por desempregados, deficientes, pessoas com poucos recursos financeiros, imigrantes, moradores dos grandes centros urbanos e idosos.
 
Estima-se que apenas 10% dos idosos tenham acesso a centros de convivência ou programas de assistência, de acordo com Serafim Fortes Paz, professor da faculdade de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do projeto Oficina de Protagonismo, Direitos e Cidadania da Pessoa Idosa, que oferece oficinas diárias a cerca de 500 idosos no campus do Gragoatá, em Niterói (RJ). “Idosos que não têm acesso a um bom sistema de transporte, que passam por constrangimentos ou risco de acidentes, sentem-se mais protegidos dentro de casa. Esse isolamento pode até desencadear um quadro de depressão”, diz Paz.
 
Em suma, milhões de pessoas podem sofrer de algum tipo de solidão. Como observa Paz, “na vida moderna, em que os integrantes da família estão cada vez mais ausentes da relação doméstica e em que há uma ênfase cada vez maior nas relações virtuais, vê-se uma tendência ao individualismo e um estímulo às ações solitárias e atitudes isoladas”.
 
Seleções foi em busca das causas da solidão na nossa sociedade e examinou maneiras de atacar o problema.
Como definir a solidão?
Vivenciar como solidão o fato de “estar sozinho” é algo muito pessoal e determinado pela cultura – a nossa sempre foi de grande convívio social e de famílias extensas. No entanto, com o crescente processo de urbanização no Brasil, mais pessoas vivem solitárias. De acordo com dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio) do IBGE, o número dos que moram sozinhos pulou de 4,5 milhões, em 2001, para 7,9 milhões, em 2011. Outros dados do IBGE também mostram que as pessoas vivem mais tempo: a expectativa ao nascer, que em 1940 era de 41,53 anos, passou para 74,08 em 2011.
 
Como explica a socióloga Eva, “nossa concepção de cultura nos impõe a responsabilidade de cuidar dos idosos. Filhos mais velhos sentem que têm a obrigação de atender aos pais. Aqui, o costume é fazer visitas regulares e manter a proximidade. Os idosos esperam isso da família. Se não recebem ligações ou visitas, têm mais chance de se sentir solitários”.
 
“Antigamente as famílias eram maiores, reuniam-se em encontros regulares e faziam mais festas. Hoje, em função da violência e da dificuldade de acesso, muitos idosos perderam outras formas de convívio social, deixando de frequentar igrejas ou clubes”, observa o professor Paz.
 
Existe uma tendência em confundir “viver só” com “sentir-se só”. “Nem sempre uma pessoa que está só sofre de solidão”, alerta Virgínia Maffioletti, psicológa do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. O somatório de timidez, insegurança e crítica pode interferir na socialização. Pessoas com preocupação excessiva sobre o que os outros pensam correm o risco de se sentir solitárias e deprimidas. No consultório, os jovens relatam a dificuldade de construir relações mais estáveis. A prática de “ficar” nas baladas não favorece necessariamente o encontro e as amizades, salienta Virgínia.
 
O Dr. Gerson Carakushansky, médico geneticista e professor da UFRJ, cita uma pesquisa conjunta da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, e da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda. Os pesquisadores verificaram que não havia grande diferença no nível de solidão entre gêmeos univitelinos (que têm exatamente os mesmos genes). As discrepâncias, porém, foram bem maiores nos casos dos gêmeos não idênticos. Em outras palavras, quando um dos gêmeos idênticos se sente solitário, há uma boa probabilidade de que o outro também se sinta assim. Pode-se concluir que a carga genética, nesse caso, é muito forte. Essa previsibilidade é bem menor no caso de pessoas com menos semelhanças genéticas.
 
Segundo o Dr. Carakushansky, alguns arriscam e afirmam que a genética contribui com 50% para a solidão e os fatores circunstanciais com os 50% restantes, mas é difícil comprovar. Psicóloga e afiliada da disciplina de geriatria e gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cleofa Toniolo Zenatti completa: “As circunstâncias têm papel importante no processo de isolamento. O luto, a aposentadoria ou a sensação de ser incapaz, por exemplo, fazem com que alguns idosos se isolem. Jovens inseguros se apegam às redes sociais, afastando-se do convívio na vida real.”
 
Segundo Cleofa, mesmo havendo predisposição, a solidão só pode ser desencadeada em função de algum acontecimento. Se um idoso sem nenhuma razão aparente se isola, isso pode indicar depressão, ela completa.
 
Às vezes, essas circunstâncias podem ter efeito revelador. Por exemplo, a criança vítima de bullying tende a se afastar do grupo agressor como estratégia de defesa. “A criança sente-se insegura para explorar novos ambientes e o contato com outras crianças. Se ela não encontrar apoio nos pais, professores e em alguns amigos, a tendência é se retrair, o que pode comprometer o desenvolvimento de habilidades sociais exercitadas nessa faixa etária e que servem de base para o comportamento adulto”
Soluções
O bom é que, embora nem sempre se consiga evitar a solidão, em geral é possível tomar providências a respeito. Parece óbvio, mas quem fica em casa nunca conhece ninguém. Portanto, é essencial ser ativo, como confirma a viúva Anisia Spezia, 67 anos, de São Paulo.
 
Ela administrou, durante mais de trinta anos, uma cantina escolar com o marido. Já aposentada, quando ficou viúva há quatro anos, sentiu um grande vazio. Alguns a aconselharam a costurar. Ela chegou a fazer curso de corte e costura, comprou uma máquina, mas se sentia muito solitária e entediada. No entanto, após dar assistência a uma senhora de 82 anos que havia caído na rua e estava abandonada pela família, Anisia resolveu lançar a campanha “Seja um Cuidador Voluntário” no Portal Terceira Idade.
 
O programa já tem 2 mil voluntários espalhados pelo Brasil, que acompanham idosos em consultas médicas, resolvem com eles questões burocráticas e fazem visitas para simples bate-papos ou sessões de leitura. São profissionais que dedicam parte de seu tempo a cuidar de quem está sozinho. Quem é fisioterapeuta, por exemplo, pode até exercer a profissão caso seja necessário.
 
Anisia, que é coordenadora do programa, não se arrepende nem um minuto da decisão. “Agora tenho meta na vida. Eu me sinto útil. O voluntariado é muito gratificante.”
 
Muita gente simplesmente acha difícil demais fazer algo para acabar com o isolamento. Para isso, teriam de superar o que fez com que se tornassem isolados, como timidez, inépcia social ou sensação de inferioridade. Um passo inicial pode ser a terapia para entender o que está causando o sofrimento. Tanto crianças quanto adultos podem se beneficiar de oficinas de teatro ou atividades como coral e cursos. Mas às vezes as soluções estão mais perto do que se pensa.
 
A psicóloga Virgínia sugere: “Se a pessoa percebe que os amigos pararam de ligar ou de retornar ligações, é sempre uma boa atitude perguntar o motivo, procurar saber o que está acontecendo. É preciso ativar a rede de contatos para haver uma troca, uma reciprocidade. Se não ativamos a rede, se somos refratários ou muito críticos, se os outros nunca são bons o suficiente, isso cria uma aversão da rede de contatos.”
 
Outra forma de buscar contato com as pessoas é ligar, anonimamente, para a linha 141 do Centro de Valorização da Vida (CVV), que recebe um milhão de chamadas por ano e tem 70 pontos de atendimento, segundo Fernando Tomé. Ele é um dos mil voluntários e atua no posto Abolição, no bairro Bela Vista, em São Paulo. “Nós fazemos uma escuta ativa. Não julgamos nem aconselhamos, mas estimulamos a pessoa a desabafar e refletimos com ela”, conta.
 
As crianças e os adolescentes podem ligar para o 123 Alô (08000123123) se tiverem vontade de conversar. Esse contato também pode ser feito por e-mail ou chat.
 
E é importante que a escola fique de olho, acrescenta Paz. “Os professores devem ficar atentos se a criança se isola e não participa de atividades com o grupo. Crianças solitárias podem ter dificuldades de aprendizagem ou de convivência social no futuro, assim como tendência ao isolamento.
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